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25 Nov 2013

Já matou algum personagem que você criou?

Postado por em Crônicas 201 0

psicose-7[1]
Meu amigo perguntou. Não. Nunca pensei em fazer isto e por extensão do meu jeito de lidar com a realidade, acho que dei sobrevida a alguns que a própria vida determinaria o fim. Ainda acho estranho isto de a vida matar. Ela é a vida.

Também sei muito bem as implicações antropológicas, os descaminhos, coisas que entendo por cabeças de outros. As ações malucas das pessoas e muitas coisas sobre o mundo, entendo por método e pensamento de outras pessoas que estudaram, explicaram. Acho que por mim mesma nunca poderia entender. Então penso em vida e já a tenho como infinita em sua poesia ondulante e por nada me sobraria para pesquisar a morte.

Nem tenho certeza se crio alguém. Falam por aí da literatura de imitação, da grafo mania em choque de imitação. Minha escrita é de quintal. É da sinceridade suja da terra e do pensamento dificultado nas nuvens. Da improbidade intelectual. Já falei disto em alguns textos, e volto aqui só para esclarecer que o personagem, o descritivo personalístico vem da necessidade comportamental trazida na ideia. Quero dizer que o texto nasce da multiforme camada de necessidades minhas e traz na barriga suas próprias necessidades. Estas podem se traduzir então no descritivo de ações, reflexões e posturas. E como são minhas necessidades carregam obviamente as questões e respostas do ambiente que me atinge. Tudo o que pretensamente crio pode ser uma incursão criada pelo ambiente em mim.

Então desta balela toda vem o Gi. O Gi cruzou comigo em alguma esquina, me bateu na escola, me beijou na festa, me fechou no cruzamento, me deu zero naquela avaliação idiota, me vendeu um maço de alfaces lindo, etc… Pode ser tantas coisas que o Gi cansa. Tentei salvar o Gi de sua própria canseira.

O que ninguém sabe ainda, é que o Gi sabe amar. Que ele é um faz tudo. E é muito bom no que faz. E em tudo o que faz. Mas o principal é que o Gi sabe amar. Ama tão profundamente e tão lindamente, que raro cabe na poesia o coração do Gi. Poesia é coisa de gente tateando como amar, porém o Gi ama tão completamente que se fosse dado a nós vermos o coração por dentro do Gi como o vemos por fora, se cumpriria de modo fácil, como um toque leve de mãos, os pensamentos de Fernando Pessoa quando escreveu:

“Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.”

Sim. É bem isto. Se de Gi pudéssemos compreender o coração. Se pela compreensão das pessoas o dotássemos da capacidade executora, maravilhas do amor todos veriam. Em breve todos se contaminariam de puro amor. Algo se daria como um vírus que poderia mudar até a geografia dos países. Ou a economia do mundo.

Os conglomerados industriais procurariam matá-lo. Enviariam agentes perigosos do mal e numa aventura dramática as pessoas o protegeriam. E no final os agentes também infectados se tornariam evangelistas da nova moda do excesso de amor.

É muita doçura numa pessoa só. Este Gi é puro mel.

Mas querem saber por que o mundo vai continuar assim como é? Por que nada disto vai acontecer?

É que nesta parte da história o Gi morreu. Acho que o matei.

Não foi maldade minha, choque de imitação ou entretenimento desavisado. Foi uma decisão imprescindivelmente prática. Para esclarecer preciso confessar. O Gi nunca teve um coração dele mesmo. Tinha era emprestado o meu para inventar toda aquela descrição que nem podia ser verdadeira.

Tomei-o de volta, pois preciso terminar este texto e responder ao meu amigo.

 

(Alessandra L.)

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